
Para o senhor,
Toda hora o senhor invades meus pensamentos, me fazendo recordar-me de teus toques precisos, de teus beijos calorosos, de tuas carícias ternas, de tua lingua quente, tua respiração arfante contra minha pele, em teus olhos negros em meus, em teu cheiro que me acalma, dos meus dedos por entre teus cabelos, de teus abraços fortes...
Estou-me viciada no senhor, e não sei se larguarei esse vício que tanto me faz bem, vício tão profundo e entorpecente, que faz o coração de minha pobre alma arder em chamas só de pensar na companhia de monsenhor ao meu lado. Não sei, e também me envergonho ao dirigir-me ao senhor por intermédio desta carta, mas não entendo como consigo sentir um sentimento tão puro e tão complicado por alguém.
Para lhe dizer a verdade, senhor, não consigo mais entender nada. Meu amor me cegou, me ensurdeceu, me calou; me faz perder a razão, o lógico, o factual. Entretanto, não me importo mais... Não me importo com mais nada. O meu amor por ti fizeste-me perder o chão, o céu e os concretos, flutuo na mais altas das nuvens e nos mais escuros oceanos.
Apenas teu amor me basta, e nada mais além disto. Não posso te afirmar que meu amor é algo como nunca senti antes por outrem, pois não há como te comparar com outro homem nesta Terra. O senhor é único, é minhas respostas, meu rumo, meu destino. Quero envelhecer-me ao teu lado, cozer e observar o pasto ao redor, enquanto murmuras em meus ouvidos palavras de nossa adolescência ardente.
Senhor, sou apenas tua, e para sempre serei.
Meu coração, este aqui em meu peito, apenas por ti, bate.
com amor.
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